As doenças da vinha já não são o que eram. O avanço da ciência encarregou-se de solucionar a maior parte das doenças da vinha, no entanto, algumas continuam a resistir e são bem difíceis de combater. É o caso da 'Flavescence Dorée', uma conhecida doença da vinha que avançou rapidamente em França e ameaça ser tão devastadora quanto a filoxera, a praga que no século XIX devastou as vinhas de toda a Europa. O alerta foi dado há algumas semanas por vários produtores franceses, sobretudo da região de Bordéus, que neste momento ainda é a mais afectada pelo problema. A doença causa a destruição lenta das vinhas e é provocada pela cicadelle, um insecto que começa por atacar as folhas. Estas adquirem um aspecto amarelado antes de secar, razão pela qual a praga é conhecida pelo nome de 'Uva Dourada'.
Em França, muitos produtores já tiveram de arrancar a vinha. Legalmente são obrigados a arrancar as vinhas infectadas e aplicar tratamento nas cepas plantadas na mesma área geográfica, incluindo na vizinhança, senão a praga pode alastrar. Já em Portugal, o insecto foi detectado na região dos vinhos verdes, tendo já atingido alguns produtores que se viram obrigados a arrancar a vinha. Por enquanto, o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas (MADRP) ainda não se manifestou sobre que medidas irã tomar, mas Pedro Soares, deputado do Bloco de Esquerda, já anda a fazer «barulho» para que algumas medidas urgentes sejam tomadas. Conforme estabelece a Portaria n.º 976/2008, de 1 de Setembro, as medidas de urgência deverão envolver o lançamento de alertas aos agricultores, programas de prospecção da doença, aconselhamento e formação técnica para o tratamento insecticida e a adopção de medidas de controlo fitossanitário. No entanto, os produtores afectados afirmam que estas medidas não estão a ser aplicadas por falta de inspecção e acompanhamento da parte do ministério. Mas afinal, de que é que estamos à espera?