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Penfolds: império australiano

Acreditando que o vinho tinha poderes medicinais, um jovem médico de nome Christopher Rawson deu origem a uma das mais conhecidas empresas produtoras de vinho em todo o mundo. 

Apesar de Portugal ser um país produtor, há sempre quem goste de experimentar vinhos de outras paragens. Reconhecida mundialmente pelos vinhos que produz, a Penfolds encontra-se hoje muito presente nas prateleiras dos supermercados e garrafeiras nacionais.

A história da empresa remonta ao  século ao século  XIX. Nascido Londres em 1811, Christopher Rawson era o mais novo de onze irmãos, mas desde cedo mostrou ser detentor de uma vincada personalidade e de uma forte aptidão para seguir carreira em medicina. Foi ainda na capital britânica que se formou  e se casou, acabando mais tarde por emigrar para a Austrália, a terra das oportunidades. No entanto, antes de viajar conseguiu adquirir algumas cepas oriundas do sul de França, que plantou ao redor da pequena casa de pedra (Grange Cottage) que construiu em Magill, nos arredores de Adelaide.

Tal como outros médicos da época, Christopher Rawson acreditava que os vinhos tinham poderes curativos, daí ter investido numa pequena produção de fortificados (estilo Porto e Sherry) que receitava aos seus pacientes. O saboroso vinho fez tanto sucesso, que os pedidos já não chegavam para as encomendas. Por essa razão, decidiu expandir as suas vinhas e produziu ainda mais vinhos.

O fundador da empresa, Christopher Penfold, e sua mulher Mary
Durante os anos 20, a empresa já dominava o mercado: em cada duas garrafas de vinho vendidas na Austrália, uma era da Penfolds.



Após o falecimento do médico, em 1870, foi sua mulher Mary Penfold quem continuou a gerir os negócios, sendo o seu papel fundamental no desenvolvimento e sucesso da pequena empresa. Em 1881, Mary chegou a acumular mais de 500 mil litros de vinho, um recorde para a altura, na medida em que representava mais de um terço do vinho armazenado em todo o sul da Austrália. E, apesar de se ter reformado em 1884, continuou a exercer a sua influência na empresa até à data da sua morte, em 1895, altura em que os negócios ficaram a ser geridos por Georgina e Thomas Hyland, sua filha e genro. Já no virar do século, a vinha passou dos 50 para os 120 hectares, um crescimento que solidificou fortemente o nome da empresa. 

Georgina e Thomas tiveram quatro filhos, todos envolvidos na vida da empresa, sendo que dois deles, Frank Astor Hyland (nascido em 1873) e Herbert Leslie Hyland (nascido em 1878), desempenharam papeis de maior responsabilidade, dirigindo-a até ao início da II Guerra Mundial. Foi durante esta época que a companhia mudou o nome para Penfold Hyland. No entanto, durante os anos 20, a empresa já dominava o mercado do vinho: em cada duas garrafas de vinho vendidas na Austrália, uma era da Penfolds.

Ainda durante a II Guerra Mundial, a empresa, que até então produzira somente vinhos fortificados e Brandy, começou a também a apostar nos vinhos de mesa.

Uma nova etapa

Durante a década de 50, os descendentes de Frank e Herbert Hyland alteraram a filosofia da empresa, na medida em que o paladar do consumidor se focou mais nos vinhos de mesa.

Max Schubert, que durante a década de 30 trabalhara como moço de recados na empresa, veio mais tarde a tornar-se enólogo, regressando mais tarde à Penfolds para exercer essa função. Em 1951, baseado no que aprendera em França, produziu o primeiro vintage experimental, o «Grange Hermitage», um Shiraz baseado nos grandes vinhos franceses com grande capacidade para envelhecer. Já nos anos 60, Schubert e a sua equipa, foram os responsáveis pelo desenvolvimento da gama de vinhos, entre os quais se incluem:  «Bin 707 Cabernet Sauvignon», «Bin 389 Cabernet Shiraz», «Bin 28 Kalimma Shiraz», «Bin 128 Coonawarra Shiraz», Bin 2 Shiraz Mataro» (Mourvedre) e, em 1976, o «Koonunga Hill Shiraz Cabernet. Desde então, os seus sucessores continuaram a produzir vinhos de grande qualidade, sendo que muitos deles se tornaram referências raras e apetecíveis, quer para consumidores como para coleccionadores.

Em 1951, baseado no que aprendera em França, Max Schubert produziu o primeiro vintage experimental, o «Grange Hermitage».
Já nos anos 60, Schubert e a sua equipa foram os responsáveis pelo desenvolvimento dos vinhos Bin, a gama clássica da empresa.



Será ainda em 1962, que a Penfolds se torna numa companhia pública, embora mantendo o respeito pelas tradições familiares do fundador e o compromisso na qualidade dos vinhos.

Penfolds, um símbolo de qualidade

Actualmente, a Penfolds é considerada uma das mais importantes e poderosas empresas produtoras de vinho do mundo, fruto de um trabalho desenvolvido há mais de um século. No entanto, não se acomoda aos louros alcançados, investindo sempre em investigação e em novas tecnologias que permitam produzir continuamente vinhos de grande qualidade.

Além das vinhas ao redor da pequena casa do fundador, em Magill (Adelaide) a Penfolds foi adquirindo outras vinhas em Barossa Valley, McLaren Vale, Clare Valley, Coonawarra, entre outras regiões.

No entanto, Magill (em Adelaide) é o centro de tudo. É ali que o visitante se embrenha totalmente na história desta empresa e entende, melhor que nunca, a sua filosofia. Além de visitas guiadas à casa do fundador, às adegas e às vinhas, existe um local onde também vale a pena perder umas horas, sem olhar a gastos: o moderno e luxuoso «Magill Estate Restaurant» - um espaço onde a culinária australiana, francesa e italiana se fundem, em harmonia plena, com os vinhos produzidos pela Penfolds.