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Vinho e património

Pertencente aos Symington, a Cockburn’s tem as maiores caves de vinho do Porto da zona histórica de Vila Nova de Gaia

A Cockburn’s foi fundada em 1815 por Robert Cockburn, um soldado escocês que serviu em Portugal durante a Guerra Peninsular. Ao longos do tempo, as famílias Wauchope, Smithes, Teage e Cobb juntaram-se à família Cockburns como parceiras e juntos, construíram uma reputação notável para o Porto Vintage. Os registos nas casas de leilão de Londres mostram que a Cockburn's praticava os preços mais altos de qualquer vinho do Porto no início do século XX.

Na história do vinho do Porto, sempre se posicionou como uma empresa pioneira. Foi uma das primeiras empresas a plantar vinhas no remoto Douro Superior, fundamentais para o ressurgimento da icónica casta Touriga Nacional, e revolucionaram o vinho do Porto em 1969, quando inventaram o Reserva Especial, criando uma nova categoria. Além disso, a marca sempre se revelou de forma original através da publicidade e do markting, de forma criativa e bem humorada, através de posters e, em tempos mais recentes, através dos lendários anúncios de TV nos anos 70 e 80.

Em 2010 a família Symington comprou a Cockburn's, devolvendo a marca a vivacidade empresarial de outrora. A aquisição foi seguida por uma degustação histórica dos antigos vinhos do Porto da Cockburn's, com o objetivo de entender a essência do que tornou a Cockburn's tão especial, bem como uma revisão fundamental de todas as práticas de viticultura e vinificação. Nas caves, também foram dados passos importantes já que foram revitalizadas arquitetonicamente e repensadas ao nível do enoturismo.

A dimensão das caves surpreende o visitante. Não só porque são as maiores na zona histórica da cidade (comportam 6. 518 pipas de Vinho do Porto em estágio, para além do equivalente a 10.056 pipas em balseiros) como estão muito bem organizadas e decoradas. O projeto de arquitetura de recuperação do armazém nos anos mais recentes ficou a cargo de Luís Loureiro e o design de interiores é assinado por Nuno Gusmão, do P-06 Atelier. O respeito pelo património arquitetónico dos edifícios é bem visível, tanto na zona do armazenamento do stock de vinhos, como no espaço onde se preserva e promove a arte da tanoaria (a Cockburn’s tem a particularidade de ser a única cave de vinho do Porto a manter uma oficina totalmente equipada e operacional em Vila Nova de Gaia).

O museu da Cockburn's dá a conhecer mais de dois séculos de história
Os vistantes percorrem as caves da Cockburn's e, no final, terminam com uma prova de vinhos na sala preparada para o efeito (em baixo)



A visita começa pelo museu, que percorre mais de dois séculos de história com documentos originais das famílias que fizeram esta casa. De seguida, uma avenida central atravessa a cave onde se destaca o pavimento de calçada portuguesa branco e negro, tipicamente português, e também o logotipo da empresa, um galo e uma coroa, a surgir um pouco por toda a parte. Seguem-se mais espaços, corredores e recantos que parecem não terminar. A tanoaria é também um local especial onde se pode observar a equipa de tanoeiros a trabalhar com mestria. Por último, a prova de vinhos, numa espaçosa sala de provas onde estão disponíveis sete tipos de provas, e onde se incluem de 3 a 6 vinhos, pelo custo de  15 a 50 euros por pessoa, consoante as opções dos visitantes. Estas provas podem ser sempre complementadas com petiscos (queijos, amêndoas, outros) ou chocolates. Antes de ir embora, nada como passar pela loja para levar o vinho preferido para mais tarde recordar a visita e alegrar os sentidos.

Através da Cockburn’s, a Symington já recebeu diversos prémios, entre os quais se destaca o prémio Best of Wine Tourism 2019 na categoria ‘Arte e Cultura’ da região do Porto. Esta foi, aliás, a quarta vez que os espaços deste produtor receberam galardões do concurso promovido pela Great Wine Capitals Global Network (os anteriores espaços premiados foram o Vinum, em 2014, na categoria ‘Restaurantes Vínicos’; as Caves da Graham’s, em 2015, na categoria de ‘Experiências Inovadoras em Enoturismo’; e a Quinta do Bomfim, em 2017, como ‘Vencedor Global’.

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